quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Fotopoemas Série Perversa


Poema do livro Perversa, lançado em 2002 pela Ciência do Acidente; tela: Festa - de Arturita T. Pinto.

Poemas de Ana Elisa Ribeiro, poeta mineira, sobre tela de Arturita Teixeira Pinto, artista plástica e escritora.

sábado, 15 de janeiro de 2005

À Diva

À Diva

Das estilhas de
Maria
espalhadas
pelo chão
brotaram
canários.

Das veias
coléricas
fluiu sangue
musical,
ira traduzida
em harmonia.

Das tantas
mulheres
silentes
vazou a diva:
voz que não
se Callas.


Sandra R. S. Baldessin


sábado, 8 de janeiro de 2005

De Pasárgada a Sechiisland – a arte fundando mundos

Rating:★★★★★
Category:Other
Não existem povos sem poesia. A História atesta que, em todas as épocas, em todos os idiomas e dialetos, através de um código de linguagem escrita sofisticado ou da oralidade, a poesia esteve e está presente. Basta nos lembrarmos dos rimadóri da antiga Creta, dos pyitárides, de Chipre, de Bashô, rônin (o ex-samurai) que inventou o haiku (ou hai kai, como é conhecido no Brasil), ou nos lembrarmos da brasileiríssima literatura de cordel.
Oculta sob a poesia, está a figura do poeta – esse ser que mantém um relacionamento tão erótico com a palavra-prima que esta se revela a ele em todas as suas possibilidades. Ninguém É poeta; na verdade, ESTAMOS poetas, condição que prevalece apenas no breve espaço de tempo entre a intuição do poema e a revisão final, após o texto acabado. Quando está poeta, o homem inventa a si mesmo, inventa amores, inventa mundos.
Foi assim que Homero inventou a Grécia para os gregos, que Dante inventou o céu e o inferno, que Manuel Bandeira, um dos mais expressivos poetas brasileiros inventou Pasárgada: “Em Pasárgada tem tudo/ é outra civilização/ tem um processo seguro/ de impedir a concepção /tem telefone automático/ tem alcalóide à vontade/ tem prostitutas bonitas/ para a gente namorar”; por esse mesmo processo, usando palavras como tijolo e argamassa, o artista visual e poeta SECHI, nascido num recanto chamado “Aparecida do Bonito”, mas vivendo em Rio Claro há muitos anos, criou o seu universo (ou multiverso): Sechiisland.
Ilhado em seu mundo, Sechi inventa um dialeto: “das línguas/ todas/ da Terra/ eis da qual/ eu não duvido:/ duas ou três/ gotas de saliva/ sussurradas/ em seu ouvido”.
Sua poesia, volátil, sugere mais o silêncio do que a fala: Já/ que na vida/ nada muda,/ mudo eu.../ silêncio!”A poesia de Sechi busca, na palavra, aquilo que é indizível, como no poema “O Eu-bala-de-amendoim”:
“lá,
lá,
lá...
dançando
entre os seus lá bios
quero derreter
qual bala
de amendoim”

O poema se movimenta, qual o eu-bala na boca da musa, revelando o desejo de fusão, a volúpia do amalgamar-se, dissolver-se no outro. A poesia de Sechi nasce do silêncio, e, quando chega às nossas mãos, traz um aviso do próprio poeta: “leia e jogue fora, ou jogue fora sem ler”. Ou seja, devolva o poema ao seu silêncio primordial.
A Sechiisland é, sobretudo, o endereço do útero desse poeta, o lugar onde nasce a sua arte; há uma filial geograficamente localizável, essa, é apenas a cópia pálida do mundo interior criado pelo poeta. Nessa filial, o artista expõe os seus trabalhos, dedica-se à edição artesanal de seus livros, desenvolve seus projetos de Arte Postal. Como sempre, a arte continua inventando mundos que garantam ao artista o senso de pertencimento.
Se nos guiarmos pela declaração do poeta e ensaísta mexicano, Octavio Paz, segundo quem “o valor de uma obra reside em sua novidade, na invenção de formas ou combinação das antigas de maneira insólita, descoberta de mundos desconhecidos ou de zonas ignoradas nos conhecidos”, compreenderemos que a proposta artística (ou a ausência dela) de Sechi se caracteriza como a mais pura expressão da vanguarda que pode ser vista hoje, em Rio Claro; uma vanguarda que sabe inventar alicerçada na verdadeira tradição. Lendo os poemas de Sechi, observando os seus trabalhos, reconheço: Arte, teu nome é busca!

* Sechi é o idealizador das Edições 100 – sem apoio cultural, sem revisão ortográfica, sem pretensões literárias, sem valor comercial; para adquirir os livros, entre em contato: sechiisland@yahoo.com.br

Alguma Poesia*


BAILE

Enlaça esse corpo
que te chama sem palavras.
Convida-me para dançar.
Nesse abraço passional
atados, pele-intra-pele,
vínculo salino do desejo.
Prisioneiros da agonia,
conjurados à encontrar
a perfeita parceria
que pode dois,
em um transmutar !



Lição de Anatomia

Vejo-te.
Com minhas mãos
aprendo
a tua geografia
e os segredos
da tua pele
desvendo.
Centímetro por centímetro
da tua epiderme
ao ser tocada
revela-me tua história.
A história
do teu corpo
que o código do desejo
me ensina a decifrar
letra por letra,
poro por poro.
Lição de anatomia
“in vivo”



Ausência

Feito bicho
farejei no vento
o teu cheiro.
Ai... como dói
saber-te ausente
do meu tato.

Feito bicho
- puro olfato -
busquei o
teu almíscar
noutros corpos.
Ai... como dói
saber-te além
do meu desejo.

Feito bicho
uivei pra lua,
fera urbana
enclausurada
na prisão
da tua ausência!



Poemática

O poema
que gero
busca a voz
mais que a
palavra.
O tom exato
da cor
que expressa.

Busca o som
mais que a perfeição
métrica,
a canção dos bichos,
dos anoiteceres...

A secreta
linguagem dos olhares,
o clamor atávico
dos desaparecidos,
a íntima mensagem
dos orgasmos...

Busca o ruído
das folhas e
dos ossos secos;
o fragor das risadas,
o nó na garganta,
o silêncio abissal
das profundezas
do Ser...

Sandra B.


* Textos da coletânea "Poemas que a pele escreveu" - Livro: À flor do verso. - 2000.
** imagem: "Passion -quadro da artista plástica Mary Andersen; disponível em: http://www.maryandersoncenter.org/stephimages/passion.jpg













Série Sensorial/Sabores




Fotografias produzidas com os materiais utilizados nas oficinas de sensorialidade ou didática do desejo. Sabores envolve temperos, ervas, especiarias, chás, frutas desidratadas e cascas de frutas.etc. Os ingredientes foram arranjados sobre papel cartão.

Série - Coração da Floresta




Fotografias realizadas utilizando material coletado na Floresta Navarro de Andrade, em Rio Claro/SP - Brasil; folhas secas, palha, sementes, fragmentos de árvores, etc arrumados sobre papel cartão.

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Fotopoemas


Lago da Floresta Estadual Navarro de Andrade

poesia sobre foto