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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Poesia

poesia não 
se apressa não 
perde a hora não
usa relógio no
pulso pulsa
no átimo poesia
está sempre por
um triz

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ausência


Para o meu pai


Eras tu que
lustravas 
manhãs colando-as 
à janela

a ti pertenciam
os cabelos
desabrochados
das rosas todas

se hoje cultivo 
brotos de asfalto
é porque os aduba  
a tua falta.



(Imagem: acervo da família. Nicolau Sánchez, em 1956, no Beco das Garrafas, Rio de Janeiro)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Quebra-cabeça

rasgado nas

paredes o teu

sorriso de outdoor

 

procuro nas

peças baralhadas

tua velha alegria

 

 

Sandra B.

 

 

Imagem: www.jupiterimages.com

domingo, 12 de novembro de 2006

A vingança dos objetos


XV Canto

lençóis no
varal
a tarde
branca se
alastrando em
nossos corpos -
velas ao
mar

Sandra B.

 

Imagem: Vênus e Marte. Boticelli. Disponível em:
http://pintoresfamosos.juegofanatico.cl/images/botticelli/venus_marte.jpg

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Poema visual

Narrativa


 


 


terra


terra terra


pé pé pé


terra terra



 t


 e


 r


 r


 a


   pó


 


Sandra B.


 

sábado, 18 de março de 2006

labirinto aquático


labirinto aquático

 

Nunca (me)

encontro a

saída do teu

    olhar

 

Sandra B.

 

Imagem: Fotomontagem de Dabbah

sexta-feira, 17 de março de 2006

letramorfoses


Para o poeta Cláudio Daniel 


 


 


  O poema 


   eclosão


inventa o poeta –


     animal


letramorfótico.


Sandra B.


 


imagem: Rio Querência  do Turvo, Paraná - abril de 2005.

domingo, 5 de março de 2006

Iniciados


   
    Iniciados
 
 
   Nos corpos,      
     a vida.
O cheiro mesmo
     da vida –
      a rosa 
   anunciada -
   bálsamo e
 promessa de
    leitura.
 
Sandra B.
 
imagem: "La passion"

 

 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Mágoa


Há momentos

em que afloras:

lembrança líquida.

 

Gotejas alcalino

desde os mares

oblíquos:

portal que se

abre para dantes.             

 

Pisco os olhos e                                   

já não és mais que

(m)água.

 

Sandra B.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Clímace


quando me tocas

um pássaro germina

nas entranhas

 

tua boca acorda

canários insuspeitos que

me habitam as células

 

à deriva dos ossos

meu corpo estranho de si                                  

pulsa trinados  atávicos

 

Sandra B.

 

imagem: Bandoneon - Coleção Le Tango, de Maria Amaral, 1999.

 

sábado, 14 de janeiro de 2006

AMOR


Amor

 

Grão plantado

para morrer

oculta na semente

a ilusão daquilo

que se eterniza

no momento em que

apodrece.

 

Sandra B.

 

imagem: Embraced Couple, de Cristina Figueredo; 1996.

 

 

sábado, 26 de novembro de 2005

Incomportável


 

seja âmbar

o poema

furtado aos

intestinos da

palavra e

flamante seja

luz  que recende

para sempre

inescrita

 

Sandra B.

 

imagem: Years of fear, 1941. Roberto da Matta. Museu Guggenheim, NY

 

 

domingo, 6 de novembro de 2005

Realidad


Los sueños


que tengo acariciado


si mezclan con


el universo.


Expresiones,


signos,


imágenes


si conjugan entre


las fronteras


del cielo y de la tierra.


No hay división,


sino que uno


punto ciego que


nosotros mismos


construimos y


lo llamamos


realidad.


 


Sandra B.         


 


 


imagem: "Mirando al horizonte" óleo sobre tela de Leonor Maass.    

domingo, 30 de outubro de 2005

Toda poesia que se há de pescar no Passa-cinco



O rio sempre me foi janela. Meu avô pescava e eu, debruçada sobre as pedras, pescava estórias, na imaginação. Houve um rio e uma menina que o amava e foi vivida por ele. A água fria, o tempo frio, e o avô que se entendia melhor com os peixes do que com a família. O corpo d’água do rio misturado às minhas águas, às vezes claras, às vezes sangue,


Esse rio continua fluindo em tudo que escrevo...


 


o corpo d’água


das minhas águas


delta fecundo


fluindo para o


amar.


 


Sandra B.


* foto: uma das cachoeiras do Passa-cinco

sábado, 8 de outubro de 2005

A vingança dos objetos (novo canto)


antes


a tua boca


rompendo manhãs


depois


rompida a costura


das noites dias


fraturados.


 


 


Sandra B.


 


imagem: Lovers, Nicollette Canvas, 2002.


 

domingo, 25 de setembro de 2005

Eu e a madrugada




Aproveitamos a ida até Sampa para participar do programa e fomos curtir a noite paulistana; madrugada alta ( e quem vos escreve não menos) nos deparamos com a "vaquinha"* na Rua Oscar Freire; ela topou posar comigo para uma foto...rsrs

* a vaca faz parte da Cowparade, exposição com 150 esculturas de vaquinhas, espalhadas pela cidade de São Paulo. Uma nota insólita na paisagem da metrópole.

domingo, 18 de setembro de 2005

nu espelho



Olhos de quarenta


enredo


a boca re


inventa o


só (riso)


rede.


Na retina


a súbita


clareza:


resisto.


 


Sandra B.


 

domingo, 4 de setembro de 2005

Setembro


 

primavera –

 

imensa festa

 

traduzida em

 

teu cheiro;

 

pelas ruas,

 

setembro

 

se derrama:

 

olfatável melodia.

 

O meu desejo

 

só pede o

 


teu jardim.


 


 


Sandra B.


 


*imagem: fotografia de Fernando Gomez Viñara.

sábado, 27 de agosto de 2005

Feminina


Sigo,


sangrando em


ciclos


singrando


(po)mares


re


ciclando


opióides


sintetizando o (pro)


lixo.


 


Sandra B.


imagem: vintage. Disponível em: www.bianconero.com

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Destino


Uma vez que não


posso arbitrar sobre


minha vida,


passo a vivê-la


pela metade.


 


Quem sabe do meu


destino


não sou eu.


É o outro.


Quem me assalta na esquina


é dono da minha vida


 


Me faz desaparecer


apaga minha memória.


 


Quem quiser,


mata-me sem perguntas,


 ou desculpas!


 


Sandra B.


 


* transcriado a partir de um texto em prosa de Nélida Piñon – “O Jardim das Oliveiras”/ O Calor das Coisas – 1997